Sonho ou Real

Oi, me chamo Sarah, tenho 17 anos e tive um sonho muito louco. Quer saber mais? Então venha comigo para meu mundo…
Gosto muito da vida, tento vivê-la ao máximo, adoro ler, escrever, passear, e principalmente bater papo com minhas amigas. Tive um pequeno problema a alguns anos, perdi a memória de todo o meu passado, moro com um tio, na verdade, um senhor que tem a minha guarda, ele ficou de me ajudar até que eu me lembrasse de tudo, mas isso nunca aconteceu, mas até que eu não me importo, pois sou muito feliz, acabei de terminar o segundo grau e ainda não me decidi o que vou fazer daqui para frente, que carreira deveria fazer, gosto de tantas coisas, quem sabe alguma coisa na área de humanas, artes talvez.
Trabalho numa pequena loja de materiais de escritório, meu patrão é muito bom e sempre me aconselha sobre cursar faculdade. Ando tendo sonhos estranhos, não sei ao certo o que querem dizer, mas em todos os sonhos vejo lugares fantásticos, luas gigantescas e belíssimas.
Numa noite resolvi contá-los a Dara, que além de minha amiga e confidente também compartilha de sonhos malucos comigo. Era fim de semana e ficamos sobre o terraço olhando para o céu, a lua parecia estranha, estava azulada. Um sono maluco tomou conta da gente, eu não conseguia manter meus olhos abertos, Dara já dormia, eu tentava lutar em vão, acabei adormecendo.
Quando acordamos estávamos num lugar estranho, nós não sabíamos por que estávamos lá, mas eu sabia que precisavam da gente de algum jeito. Esse lugar era diferente, parecia um mundo paralelo ao nosso. Tinha um campo cheio de flores, um céu rosado e vários animais mitológicos.O estranho de tudo isso é que eu me sentia bem neste lugar.
Resolvemos caminhar pelo campo que logo terminou e deu de cara com uma floresta bem estranha, as árvores eram todas retorcidas, como banzais gigantes, mas só nos caules, do nada topei num ovo que era enorme.
– De que bicho será que é esse ovo? — perguntou minha amiga.
– Não faço a menor idéia! — respondi.
– Ainda está morno! A mãe dele não está muito longe.
– É melhor deixarmos aí e prosseguirmos, quero saber onde estamos! Precisamos achar alguém que possa nos dizer! — exclamei.
– Certo! — concordou ela.
Continuamos a andar, de repente a paisagem mudou de novo, parecia um deserto. Eu estava bem confusa! Queria saber o que estava acontecendo, que mundo era aquele.
Logo depois do deserto achamos um oásis, fizemos uma festa com a água bem vinda.
Não fiz a menor cerimônia, me joguei nas águas cristalinas represadas nas areias!
– Vem logo Dara, a água está ótima! — gritei.
– Eu já vou Sarah! — respondeu.
Dara se jogou na água com gosto. Ficamos um bom tempo de molho naquela água maravilhosa, me senti revitalizada. Mas eu ouvi algo estranho, parecia um choro baixinho.
Era uma menina que estava chorando, ela tinha cabelos ruivos e aparentava ter uns 11 anos. Eu fiquei preocupada!
– O que aconteceu, você se perdeu? – perguntei.
– Estou triste — respondeu ela — minha família eu não consigo encontrá-la, tá tudo diferente!
Ela se levantou de repente e apontou para o céu, olhamos e vimos algo inacreditável, duas luas, uma azulada e outra arroxeada.
– Qual é o seu nome? — perguntou Darah.
– Sily. — respondeu.
– Eu me chamo Sarah e ela é a Dara, nos diga, onde você mora?
Ela apontou para o céu novamente. Ficamos confusas.. Mas como estava acontecendo tantas coisas estranhas, resolvemos acreditar nela e ajudá-la. Saímos daquele lugar com a Sily, ela parecia conhecer bem tudo, apesar de parecer perdida. Fomos parar num bosque muito frio, eu estava tremendo. A Sily pegou na minha mão e na de Dara, quando algo em nossos pulsos começou a brilhar, eram parecidos com braceletes..
– Peraí! O que é isso no meu braço? — perguntou Dara totalmente estarrecida.
Eu também não acreditei, eu também estava com um bracelete, o de Darah era roxo, o meu amarelo, depois do brilho, não sentimos mais frio, mas o incrível era que parecia estar fazendo uns dois graus, mas não estávamos sentindo, esse mundo é realmente louco. E para parecer mais louco ainda, adivinhe o que vimos? É a coisa mais linda que alguém pode ver.
– Olha lá! Uma AURORA BOREAL! — gritava Dara dando pulos de alegria.
– Esse era um sonho meu! Ver uma aurora boreal! Que legal! — gritei.
Sily sorriu para nós como se aquilo fosse a coisa mais comum do mundo, tudo que acontece nesse mundo louco pra ela é normal, também, ela deve ser daqui…
Continuamos a caminhar no meio daquele frio sem problemas. Ao chegarmos perto de uma elevação avistamos uma grande casa, parecia uma mansão só que de alvenaria.
– Nossa, que enorme! — comentou Dara.
– De quem será aquela casa? — perguntei.
– Vamos lá! — respondeu Sily sorrindo e já correndo até a casa.
Não teve jeito, fomos atrás, pois a Sily estava sendo a nossa guia, mas uma coisa me fez pensar, por que ela disse que tudo estava diferente? Porém, parece que ela conhece tudo tão bem. Acho que eu não entendi o que ela quis dizer, outra coisa que eu percebi, a Sily não parece ter mais só 11 anos, agora ela aparenta ter uns 13, estranho isso, o que será que está acontecendo?
Descobertas
A Sily está crescendo em horas, mas como isso é possível? Isso não é normal! Darah também reparou nisso, estávamos um pouco assustadas com tudo, afinal de contas, com certeza não estamos no nosso mundo, eu pensava em como fomos parar lá, mas não lembrava!
Entramos na casa, eu nunca tinha visto uma casa tão bonita e ao mesmo tempo, era tão desolador, pois estava vazia, todo aquele luxo e ninguém morando lá.
De repente ouvimos vozes:
–Você quer brincar? Venham brincar! — diziam as vozes. Eu fiquei com medo e Dara apavorada.
– Sily, você sabe o que é isso? Que vozes são essas?
– Eu quero sair daqui!! — gritou Dara.
– Calma — disse Sily totalmente tranqüila. — Eu conheço, elas não vão machucar ninguém.
– Mas quem são?? — insisti.
– São apenas vozes. — respondeu.
– Mas toda voz tem um dono! — disse Dara.
– Essas não tem. — completou Sily.
Eu não estava entendendo absolutamente nada, mas diante da tranqüilidade de Sily, não fiquei mais com medo. Dara também se tranqüilizou.
Continuamos a caminhar pela casa, conforme adentrávamos, nossos braceletes pulsavam em pequenos brilhos. Comecei a me sentir diferente, era como se a mente de todos fosse um livro aberto, pois eu podia ouvir as vozes da Dara sem que ela abrisse a boca. Tentei esquecer isso, pois é coisa de gente doida! — pensei.
A Dara ficava olhando a cada detalhe da casa, era como se ela soubesse a história de cada coisa.
– Como posso saber dessas coisas? — Perguntou Dara a Sily.
– É o bracelete, mas não se preocupe, isso é um dom e não uma maldição.
Do nada, apareceu um lindo gatinho branco que parou na minha frente. Me abaixei para pegá-lo, lhe dei um afago e um pedacinho de bolacha que estava em meu bolso. Quando o coloquei no chão, tamanho foi o meu susto quando ouvi: — Obrigada pelo salgado. MIAU!.
– O que? O gato falou! — Gritei estarrecida! — Gente o gato falou!
– Mas eu não ouvi nada Sarah, você deve estar enganada, ele só deu um miado!
– Ela não se enganou Dara, esse é o dom da Sarah, ela pode entender todos os pensamentos, até dos animais.
Ao ouvir aquilo eu não acreditei! Posso ouvir os pensamentos e entender os animais?! Que coisa de louco! Eu não sabia se ficava feliz ou preocupada. Já pensou eu castigar o gato e ele me xingar?! Ai, ai, ai, vou até parar de pensar nisso. Se bem que pode ser bom, se algum bicho meu se sentir mal ele pode me contar. — sorri.
Entramos num belíssimo quarto, parecia o quarto de uma menina, todo cheio de brinquedos, possuía uma decoração colonial.
– Nossa! Parece que estamos na década de 20! — comentou Dara.
– Sim e não. — disse Sily — Aqui não existe época, são todas as épocas e nenhuma ao mesmo tempo.
– Sily, eu insisto, o que está havendo, por que estamos andando por esse lugar?
– Você logo vai saber Sarah! Não se preocupe, só saiba que a presença de vocês duas é muito importante. — concluiu.
De repente o quarto sumiu, ficou tudo escuro, fomos parar em um outro lugar bem diferente. Era um tipo de pântano. Lá tinha uma árvore cheia de cipós, de lá vinha um murmúrio.
– Sily, que lugar é esse? — perguntou Dara.
– Eu não sei ao certo, só sei que temos que encontrar alguém que mora aqui. — respondeu.
– Sily, eu já entendi porque tivemos que passar pela casa, lá era um tipo de passagem para esse lugar, não era!? — comentei.
– Pelo visto você já consegue ler o que eu penso. — comentou sem palavras.
– Me desculpe, não queria fazer isso sem a sua permissão, mas ainda não sei controlar esse dom. — falei envergonhada.
– Tudo bem Sara — disse ela — eu preciso da ajuda da Dara nesse momento — comentou.
– Eu?! Em quê? — perguntou Dara totalmente surpresa.
Acabei descobrindo o porquê de termos ido até a casa, lá era uma passagem para um lugar bem estranho, um tipo de pântano.
Sily pediu a ajuda de Dara.
– Como poderei ajudar?.
– Dara, você vai usar o seu dom de ver o passado para conversarmos com uma pessoa.. — respondeu Sily.
– Quem?! — Insistiu.
– Calma, você logo saberá. Olhe para aquela pedra em forma de cruz e tente sentir a presença de quem esteve ali e fale com essa pessoa.
E assim Dara fez, ficou olhando atentamente para a pedra, quando algo muito estranho aconteceu, ela se deparou com um rapaz muito diferente, seus cabelos eram brancos com tons azulados. Seus olhos eram claríssimos e sua pele bem branquinha.
– Gente, eu estou vendo! Gente?! Sarah, Sily?! Cadê vocês?! — Disse apavorada.
– Elas não podem te ouvir. Você não está mais na mesma época que elas, você veio para o meu tempo. — disse o estranho à Dara.
– Quem é você? — perguntou.
– Me chamo Yanx. — respondeu ele. — Você está aqui a pedido da Sil, não é?!
– Sil? Você quer dizer Sily?! Sim, estou mas não sei o que ela quer de você.
– Fique tranqüila, eu sei o que ela queria, eu estou preso aqui e preciso da ajuda de um estrangeiro para me libertar. Deve ser você. Mas ao mesmo tempo sinto que não. — comentou entristecido.
– Eu?! Mas ela não me disse nada! — respondeu perplexa.
– Nem precisa, você deve ter ouvido os pensamentos dela. — comentou Yanx.
– Eu não tenho esse poder, quem tem é a Sara, que também não é desse mundo maluco.
– Então deve ser ela, precisarei de sua ajuda. Mas não posso mais fa-lar… Nos-so tem-po es-tá aca-ban-do. — comentou enfraquecido
Lembranças
De repente uma grande luz fez com que Dara fechasse os olhos, deixando-a desnorteada.
– Não, espere! — gritava.
– Dara, o que você viu? Me fale! — intimei preocupada. Mas na mesma hora obtive a resposta, vi tudo através dos pensamentos de Dara.
– Esse rosto, eu já o vi antes, mas onde?! — comentei confusa, num misto de medo e admiração.
– Sarah, eu não posso te ajudar muito, mas preciso de sua ajuda. Só sei que você vai achar a resposta dentro de si. Por favor, faça uma força, se não ajudarmos o Yanx, ele vai morrer. — disse Sily aflita.
Sarah ficou muito triste, pois não sabia como podia ajudar, de repente, olhou fixamente para Sily e viu algo, era uma imagem de dois bebês brincando inocentemente, um menino e uma menina.
– Já sei Sily, Yanx é o seu irmão, não é?! Mas também é algo meu. Os olhos dele, eu consegui ver o que tinham neles, parecia me chamar.Dara, eu preciso falar com Yanx, você pode voltar lá e me levar?
– Não sei Sarah, eu nem sei como eu fui parar lá. Mas podemos tentar.
– Eu sei que vocês vão conseguir. Tenho certeza disso! Agora que vocês já sabem sobre nós, posso ajudá-las, fiquem de frente uma para a outra e segurem as mãos, fechem os olhos. Dara, pense naquele local novamente e você Sarah, pense em Yanx. — disse Sily num tom austero.
Uma grande luz envolveu Sarah e Dara, mas algo aconteceu, só Sarah chegou ao lugar onde estava Yanx.
– Dara! Onde você está! Cadê você?
Sarah fechou os olhos e se concentrou em Dara que estava entre o presente e o passado.
– Sarah, eu finalmente percebi como posso ajudar, enquanto eu tiver entre os dois tempos, você poderá falar com Yanx e ajudá-lo, mas não demore não sei por quanto tempo poderei ficar aqui.
– Amiga não se preocupe vou conseguir.
Sarah olhou em volta e viu um rapaz.
– Você é o Yanx?!
– Sou, e você é a Sarah, não é?!
– Sim, como sabe?!
– Você realmente não me conhece? Meu rosto não lhe é familiar?
– Não sei ao certo, estou meio confusa com tudo isso, só sei que preciso tirar você daqui, mas não sei como faze-lo?
– Só vou conseguir sair daqui se um estrangeiro se lembrar de mim, eu habito um mundo paralelo mas agora quero voltar ao meu verdadeiro mundo.
Sara olhou para o Yanx e cenas vieram em sua mente, uma família muito feliz em meio a um lindo campo e um sol muito bonito, ela reparou nos rostos e se assustou muito.Agora muitas coisas de sua vida se explicam, sua falta de memória dos ultimos anos, o fato de viver com seus tios e nunca ter conhecido seus pais, tudo se encaixava, Sara agora sabia que uma parte de seu passado ia ser recuperada. Ela começou a chorar e abraçou Yanx.
– Acho que agora você se lembra de mim. Que bom, esperei tanto tempo por isso. — disse Yanx enxugando as lágrimas de Sarah.
Os dois se abraçaram forte, Dara estava ficando fraca, e pediu para Sara se apressar.
Sarah não sabia ainda como tirar Yanx de lá, eles se olharam nos olhos e se beijaram. Uma luz forte os envolveu, era tão intensa que fez os dois perderem os sentidos.
Decisão
Depois de um tempo, Sarah finalmente abriu os olhos, ela estava num outro lugar. Dara estava aflita, esperando que ela acordasse. Sarah olhou para o lado e viu Yanx que estava ainda inconsciente.
– Dara, diga-me, ainda estamos naquele mundo ou voltamos para o nosso?
– Sarah, descanse depois a gente conversa com calma.
– Não precisa Dara, eu consegui ver que ainda estamos aqui, e vi também uma profunda tristeza em seu coração. Me diga, eu não consigo saber o que aconteceu. Cadê a Sily?
– Ela não está mais aqui, foi para outro lugar, ela não era nem desse mundo e nem de qualquer outro. — comentou Dara.
– Você quer dizer que a Sily era um…
– Sim Sarah, a Sily era um fantasma.
Neste momento, Yanx acordou.
– Onde estou? Que lugar é esse? Sarah, você está bem?
– Estou Yanx e finalmente consegui me lembrar. Dara, minha amiga, eu finalmente percebi que eu sou desse mundo, eu consegui me lembrar do meu grande amor e da família que iremos ter em breve. Esse é o meu lugar e não vou voltar para casa.
– Eu sei Sarah, eu já sabia de tudo desde a hora que olhei no rosto do Yanx, consegui ver o passado e o futuro, mas eu não sou daqui e vou voltar pra casa, meus pais devem estar bem preocupados.
– Não se preocupe Dara, você não vai perder nenhum minuto sequer, a linha do tempo aqui transcorre diferente da do seu mundo, se passaram apenas alguns segundos desde a sua vinda. Mais uma vez eu agradeço por me trazer a coisa mais preciosa da minha vida. — disse Yanx abraçado a Sarah.
– Yanx você está roubando a minha amiga, mas não vou sentir raiva de você, pois sei que ela estará muito bem com você. Cuide bem dela e se algum dia você a magoar, eu vou voltar e te prendo de novo naquele mundo do passado!
Dara conseguiu voltar pra casa, Sarah e Yanx ficaram naquele mundo.Surpresa
Um ano depois, num dia de escola.
– E então Dara, você vai ou não participar do teatro?
– Ah, eu não sei Luana, hoje não está sendo o meu dia… (estou com saudades da minha amiga, hoje faz um ano que…– pensou).
– Tudo bem Dara, mas pensa direitinho tá, você é a pessoa ideal para o papel. Até mais. — disse Luana.
– Até. — disse Dara entristecida.
Algum tempo depois da aula, Dara foi caminhar por um parque quando viu um casal diferente, parecia que ela já tinha visto aquela cena antes. Quando ela conseguiu ver os seus rostos, não se conteve, abriu um belo sorriso e partiu em disparada para cima do casal.
– Sarah, Sarah, você voltou! Yanx, você também está aqui, e quem é essa? Não me diga que…
– Dara, agora eu me Chamo Yan.. — disse ele interrompendo-a.
– Darah essa aqui é a minha filhinha a Larah, ela está com quatro anos.
– Que?! uma filha, quatro anos?! Realmente o tempo lá é outro…Quanto tempo vocês vão ficar? — perguntou Dara agitada.
– Bem, a Sarah sentia muita falta daqui e de você, então resolvemos ficar nesse mundo, afinal, aqui é bem mais tranqüilo para a nossa filhinha.. — disse Yan
– Com certeza! — completou Sara.
– Mas como vocês vão viver nesse mundo? — perguntou Darah.
– Sabe, a Lara passou anos brincando com umas bolinhas, quando viemos pra cá descobrimos que eram safiras raríssimas. Tó, essas são para você, temos muitas ainda. — sorriu.
– Sarah, eu já sabia que isso ia acontecer, eu vi naquele dia, junto com você, eu vi um casal no parque e agora entendi, que eram você, Yan e Larah. Vocês pretendem voltar prá lá algum dia? — perguntou curiosa.
– Sempre nas férias — sorriu — Um dia aqui equivalem a quatro por lá! — disse Sarah com alegria.
– Então nas próximas férias, eu estou dentro — gargalhou.
– Com certeza! HAHAHAHAHA!
Continua….

Andrea Cândido © – Todos os direitos reservados

Andréa Cisne

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